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Academias buscam saída para incluir quem só quer saúde e não corpão26/02/2018

(...) Não é difícil achar quem não suporte o clima de academia de ginástica, sobretudo apontando a sensação de que o ambiente é intimidador, para quem não se enquadra nos perfis de marombados e “gracyannes". Para Gabriela Malzyner, mestre em psicologia clínica pela PUC e professora no Centro de Estudos Psicanalíticos (ambos em São Paulo), a aversão a academias é real e merece atenção: por estarem associadas a corpos perfeitos em vez de saúde e prazer de uma atividade física, as salas de treino frustram aqueles que não fazem parte do clube. (...)

— Muitos pegam a mala e vão embora. Porque haja resiliência — comenta a psicóloga, que acredita que as academias tentam mudar o cenário. — Não é tarefa fácil. É preciso consciência crítica.

(...) Mas há os resistentes, como o advogado Leandro Carvalho, 30. Depois de uma cirurgia bariátrica em que perdeu 63kg, ele voltou a encarar séries de musculação numa academia. (...)

— Pareço um mendigo. Se pudesse, treinaria num fundo de quintal. Não gosto do ambiente da maioria das academias de hoje em dia. Não é inclusivo e entendo perfeitamente que muitos não queiram continuar. Mas eu, que estou acostumado a embates em tribunais, isso não me afeta. Entro, faço a série e vou embora. O cara que está acima do peso recebe alguns olhares e até críticas. Fazer pouco caso de um obeso numa academia é como ofender um desempregado que está atrás de trabalho. Ambos só estão tentando melhorar de vida.

Dudu Netto [CREF 002025-G/RJ], diretor técnico da Bodytech, diz que só 30% do público busca saúde e bem-estar e que a grosso modo, as academias atendem quem não precisa, quem está em forma e quer manter. O desafio, segundo Netto, é vencer os modismos com orientação e informação.

— É superar o bíceps e a bunda, o foco no visual. Os que precisam mesmo não se sentem atraídos pelo clima.

Ciente disso, vale tudo para ambientar os “outsiders": Netto diz que a rede criou opções de aulas e destacou “professores-babás" para acompanhá-los, por exemplo. Na sala de musculação, há treinadores que ficam “no pé” dos novatos para corrigi-los e montar séries com tempo e cargas adequados. Outros profissionais atendem os casos delicados, como os que tem patologias ou contusões. (...)



Fonte: O Globo