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Clipping

Bebês viram 'peso' em treino adaptado para mães em academia de São Carlos07/02/2018

Recuperar o condicionamento e a forma física depois da gestação é um desejo e um desafio para a maioria das mulheres. Pensando nisso, uma educadora física [o termo correto é Profissional de Educação Física] de São Carlos (SP) desenvolveu um treino funcional que ao invés de pesos e anilhas usa o bebê, que deve ter entre 2 e 8 meses de vida.

Carolliny Almeida [CREF 089557-G/SP],
de 30 anos, é formada em educação física há 8 anos e há 5 meses tornou-se a mãe da pequena Olivia. Depois de quase entrar em um quadro de depressão pós-parto, a professora resolveu voltar a trabalhar e adaptou os exercícios do treino funcional para conseguir fazer junto com a filha.

A partir daí, outras alunas se interessaram e há dois meses um grupo de mães e bebês fazem os treinos duas vezes na semana, durante uma hora.

Ideia
Carolliny contou que sempre praticou muita atividade física e, mesmo grávida, não abandonou os exercícios, mas acabou engordando 25 quilos com a gestação.

“Depois que a Olivia nasceu eu ainda fiquei com sobrepeso. Não me reconhecia, via outra pessoa no espelho, tinha aquela chateação de não me encontrar, de me sentir feia, das roupas não servirem. Tinha um bebê e uma casa para cuidar, estava quase entrando em depressão e decidi que precisava voltar a trabalhar”, revelou.

Com o objetivo de voltar a ter o peso de antes da gravidez, a professora começou a levar a criança para o espaço de treinamento onde trabalha, adaptou os exercícios e, com a ajuda do marido, abriu as aulas para outras mães que passavam pelos mesmos problemas que ela.

“Eu coloquei um depoimento no meu facebook, uma mãe leu, se sentiu na mesma situação que eu e começou a participar. Depois disso, uma foi passando para outra e hoje somos seis mães”, contou.

Treino
Depois que voltou às atividades, Carolliny já conseguiu eliminar 19 dos 25 quilos adquiridos durante a gestação e sente que as aulas funcionais também ajudam as participantes a resgatar o lado feminino, que é deixado um pouco de lado durante a gravidez.

“A gente perde um pouco isso [lado mulher] quando vira mãe e a aula é um modo de incentivar outras mulheres que a gente pode fazer atividade física adaptada, não precisa esquecer o filho, a gente traz. É um ambiente diferente, não tem música alta, não tem fluxo de pessoas, não tem ninguém jogando peso com perigo de bater no bebê, então é uma aula especial para as mães”, declarou.

A professora explicou que durante o treinamento é importante ter cuidado com o pescoço de bebês. “Até os dois meses, eles são muito molinhos, o pescocinho pode ficar chacoalhando, então a gente usa o sling e deixa a cabecinha do neném presa. Depois disso, eles já estão ficando mais durinhos, então não tem risco”, revelou.

Normalmente, após 45 dias do parto as mães já podem praticar atividade física. Quando os bebês têm menos de dois meses de idade, a professora orienta que o certo é deixá-lo no bebê conforto ou deitado no tatame e a mãe faz o exercício sozinha.

Adesão
Carolliny contou que as aulas caíram no gosto das mamães. “Elas sentem a necessidade de fazer algo, porque a gente sente dor nas costas, o sobrepeso e a gente vai fazendo e vendo essa melhora”, disse.

Por estar passando a mesma situação que as alunas, a professora acredita que elas se sentem mais à vontade em fazer os exercícios. “Às vezes os bebês choram, precisam mamar, trocar fralda e, como todas somos mães, a gente se entende, ninguém fica constrangida”, acrescentou.

A psicanalista e relações públicas Aline Tavalera Queluz, de 33 anos, conheceu as aulas por meio de um grupo de mães e não teve medo de praticar os exercícios com a pequena Luana, de dois meses e meio.

“Eu sempre fiz atividade física antes da gravidez, aí, logo depois do pós-parto, assim que eu fui habilitada, voltei. Como os horários do trabalho do meu marido não batem, não tinha como eu deixar a Luana para fazer atividade, então aqui é bom que eu posso trazê-la”, disse.

“A minha postura está melhor, com a amamentação a gente tende a curvar a coluna e tem melhorado e a Luana se adaptou muito bem, ela gosta bastante de pessoas, então, ela fica mais tranquila e dorme melhor a noite no dia que a gente vem”, acrescentou.


Fonte: G1